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Orlando Duque
Data: 12/03/2019

Desde 2009, o Circuito Mundial do Red Bull Cliff Diving tem levado aos quatro cantos do planeta a ação lindíssima e os saltos complexos pelos quais este desporto é conhecido. O desporto surgiu há centenas de anos no Havai, por isso se quiseres saber mais, vê o vídeo e continua a ler.

Chama-se Troféu Rei Kahekili e é o prémio mais procurado pelos atletas que participam na maior competição mundial de cliff diving. O nome foi dado em honra do lendário chefe de tribo que saltou pela primeira vez dos penhascos de Kaunolu, o berço da modalidade, aproveitando uma formação natural de rochas vulcânicas. Os ancestrais princípios de 'mana' e 'pono', o poder e o equilíbrio, eram cruciais quando o desporto de lewe kawa - que se traduz para algo como 'saltar com os pés para a água sem fazer salpicos' - surgiu nas ilhas do Pacífico durante o século XVIII; estes princípios mantêm-se e ainda hoje são essenciais para fazer este desporto.

Kaunolu, na costa sul da ilha de Lanai, é casa das mais importantes ruínas das vilas pré-históricas do Havai e foi onde tudo começou. O sítio de onde o último rei do Maui independente saltou é visto como sagrado, e o nome Kahekili está intimamente ligado ao desporto do cliff diving. Na cultura havaiana, a espritualidade e a arte física estão ligadas. "Para ter solidez física, o espírito tem de estar 'pono', em equilíbrio. Quando estivesse equilibrado, o espírito ia para estas rochas; se tivesse vivido uma vida justa e moralmente correta, os anciães viriam levar o espírito para o mundo ancestral", explica o historiador Luana Kawaa. "O facto do Rei Kahekili ter sido capaz de entrar numa zona que era 'kapu', ou seja proibida, e ter conseguido saltar sem se magoar mudou tudo. Os seus guerreiros viram aquilo e pensaram na quantidade de poder espiritual que o chefe teria para conseguir fazer aquilo. Fez dele um deus."

Contam as lendas que o Rei Kahekili usava os saltos das rochas a grande altura como um ritual de iniciação dos seus guerreiros: os candidatos tinham de saltar para provarem a sua capacidade e lealdade ao chefe. Os historiadores interpretam esta atitude como uma competição: "Não sabemos se obrigava os guerreiros a saltar, mas lançava o desafio. Na cultura havaiana, uma coisa é forçares alguém a fazer algo, e outra coisa completamente diferente é quando lanças o desafio. É com desafios que consegues que as pessoas participem a sério".

Os atletas do Circuito Mundial precisam de dedicação total para conquistar o troféu, criado pelo artista havaiano Kuaho Zane de acordo com a forma tradicional das ki'i: estas representações em madeira são normalmente esculpidas em três dimensões e espelham a imagem dos deuses e ancestrais protetores chamados aumakua. Assimétrico, o troféu Rei Kahekili representa numa das faces laterais a tatuagem que cobria quase totalmente o lado direito do corpo do chefe que lhe deu o nome. A base é feita de madeira Koa e representa os pés das ki'i e dos atletas que devem atingir a água antes do restante corpo.

O Circuito Mundial do Red Bull Cliff Diving lança o desafio para descobrir quais são os atletas com mais 'mana' e 'pono', e quem consegue fazer o melhor 'lele kawa' para vencer a edição de 2019.

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