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Dentro da mente de um Wildcard

Sergio Guzman and David Colturi
David Colturi torna-se entrevistador para discutir as estratégias e objetivos dos wildcards

Técnica, atleticismo, precisão e nervos de aço são apenas alguns dos atributos mais importantes que um cliff diver de sucesso deve ter. Os grandes nomes do desporto, como Hunt, Duque e Paredes, têm demonstrado possuir o suficiente destas qualidades ao longo dos anos para merecer um lugar permanente no tour. Para um wildcard, no entanto, é preciso mais do que apenas aparecer e fazer o melhor salto da plataforma dos 27m. A vida de um wildcard no Cliff Diving é repleta de incertezas, pressão, chamadas à última da hora e um esforço contínuo para dar o salto de estatuto temporário a permanente.

Em 10 anos de Circuito Mundial, muitas são as histórias de wildcards sensacionais. Quem é que é capaz de se esquecer da sensacional e emocional vitória do italiano Alessandro De Rose em casa, na etapa de Polignano a Mare, ou da estreia no pódio do russo Nikita Fedotov em Mostar? Por outro lado, a perda de estatuto de permanente pode ser devastadora, tal como aconteceu com o antigo campeão Artem Silchenko, em 2016. Como é que os atletas lidam com a imprevisibilidade, os altos e baixos e a pressão psicológica de ser Wildcard no Circuito Mundial?

De momento fora de ação devido a lesão, David Colturi decidiu assumir o papel de entrevistador dias antes da quinta etapa da temporada, em Copenhaga, e sentar-se com os wildcards para saber mais sobre a sua estratégia e abordagem à competição.

Oleksiy Prygorov (Ucrânia)

David: Vindo dos tradicionais saltos ornamentais olímpicos, como é que vês o processo de te tornares wildcard e de tentares qualificar-te para o top 10?

Oleksiy: Inicialmente, o meu objetivo era entrar para o top 10, mas, após a minha segunda competição, apercebi-me de que é um desporto bastante difícil, cansativo e perigoso. Agora, só penso em saltar em segurança e desfrutar. Na equipa da Ucrânia a atmosfera não é boa, mas aqui todos te motivam e apoiam. Adoro. É a minha segunda vida. Agora não é muito importante para mim estar no top 10, sei que vou conseguir um dia.

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Oleksiy Prygorov salta da plataforma dos 27m no telhado da Casa da Ópera durante a sessão de treino em Copenhaga. Foto: Dean Treml/Red Bull Content Pool. 

Sergio Guzman (México)

David: Foste wildcard em 2015, entraste no Circuito Mundial em 2016 e 2017 e acabaste por falhar a entrada nos lugares permanentes para esta temporada por uma posição. Como é que te sentiste e o que é que isso mudou?

Sergio: Acho que o acidente em Mostar me afetou um pouco, mas não me sinto muito diferente esta temporada. O meu objetivo é qualificar-me e estar novamente com vocês em todas competições.

David: Como pensas fazê-lo?

Sergio: Treino e foco. Preciso de ser mentalmente forte e fazer aquilo que sei que consigo fazer.

Kyle Mitrione (EUA)

David: Estás numa situação única: és uma das únicas pessoas que tem os saltos, as capacidades e as ferramentas, mas que é um wildcard americano devido ao limite de três atletas permanentes por nação no Circuito Mundial. Como é que isso te afeta?

Kyle: Eu olho para a coisa desta maneira: é extremamente difícil ser esse terceiro americano. O que eu tento fazer é competir o máximo que conseguir e ver quão bom consigo ser, mas, realisticamente, fazer parte do Circuito não é um objetivo. Não é aquilo em que penso de ano para ano. Seria bom, mas fazer o máximo de competições que conseguir é o foco.

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Kyle Mitrione vai competir pela primeira vez desde a etapa de abertura, no Texas. Foto: Dean Treml/Red Bull Content Pool.

Kris Kolanus (POL) 

David: És um dos poucos saltadores que atravessou o sistema todo: wildcard, saltador permanente, depois voltaste a ficar de fora e acabaste por regressar ao Circuito novamente. Qual dirias ser a maior coisa que aprendeste e que conselhos darias a alguém que está a entrar?

Kris: Segue os teus instintos, faz aquilo de que gostas: isso é o mais importante. Não olhos para os outros. Se amas saltar e se queres fazê-lo, fá-lo.

David: Como é que se ultrapassa essa fase?

Kris: Não tentes tornar-te um saltador permanente, foca-te no agora. Desfruta do momento, das vistas. É a tua vida. Não fiques stressado com a competição: se estás numa localização porreira, dá um passo atrás e contempla onde estás, não tentes demasiado. Se te soltares vais ser bem sucedido.

O 'mindset' e abordagem claramente variam de wildcard para wildcard. Alguns, como o Sergio Guzman, estão a lutar para reconquistar o seu lugar. Outros, como o Oleksiy Prygorov, estão felizes por estar cá e desfrutar da experiência por agora, sabendo que o tempo de subir o nível virá depois. Apesar das estratégias divergentes, o que sobressai até no nível wildcard é a paixão pura e amor pelo desporto. Nas palavras sábias do experiente Kris Kolanus, "se amas saltar e queres fazê-lo, fá-lo".

Vê em direto

Este evento vai ser transmitido em direto no dia 25 de agosto às 12h45 (hora de Portugal Continental) em www.redbullcliffdiving.com, Red Bull TV, Facebook e Youtube. A Red Bull TV está disponível em smart TVs, consolas, dispositivos móveis e noutras plataformas. Sabe mais em about.redbull.tv

Se não conseguires ver o evento ou quiseres reviver toda a ação, a repetição estará disponível 'on demand' minutos após o fim da competição.