Iffland e Popovici saltam numa mina de sal na Roménia

Rhiannan Iffland
O duo fez o primeiro salto de sempre para o lago com 120m de profundidade

A campeã recordista do Red Bull Cliff Diving, Rhiannan Iffland, da Austrália, e a estrela em ascensão da Roménia, Constantin Popovici, saltaram a 120m de profundidade na Salina Turda, uma das mais antigas minas de sal do mundo, na Roménia.

Num feito nunca antes tentado, a campeã de cliff diving e o herói local Popovici levaram os limites do high diving ao próximo nível com um salto das paredes da mina para um lago com elevada salinidade, nas profundezas da Transilvânia.

120 metros abaixo da superfície da Terra, rodeados de um cenário moldado por sal e humanidade, os corpos dos atletas desaceleraram de 85 km/h para zero em quase o dobro da velocidade devido à elevada densidade da água. O incrível duo sai desta experiência com vista num regresso à competição, em 2021, no Red Bull Cliff Diving World Series.

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A velha mina parece saída de um filme de ficção científica. Foto: Joerg Mitter/Red Bull Content Pool.

Apesar da atividade mineira neste local ter parado em 1880, a mina de sal transformou-se num local turístico espetacular, com o cliff diving a ser a mais recente atração.

"Hoje fizemos um certo na caixinha da 'primeira vez no mundo', é o primeiro salto subterrâneo para uma mina de sal", disse Iffland. "É muito escuro no lago. A água é 17% mais densa do que a água do mar, por isso o impacto é diferente. É uma experiência muito única atingir a água quando é tão salgada. Empurra-te imediatamente para a superfície.

"A coisa mais desafiante para mim foi pôr a mudança certa na cabeça depois deste ano especial. Foi muito difícil pôr-me no lugar em que estava no ano passado, em que era capaz de bloquear esses medos, subir e saltar logo."

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Iffland lança-se de uma plataforma construída para o propósito em Salina Turda. Foto: Joerg Mitter / Red Bull Content Pool.

A água e temperatura do ar de 12ºC foi um aspeto bastante trivial, pois saltar para uma água com tão elevado nível de salinidade traz consigo uma força de impulsão e uma desaceleração do corpo muito maiores durante a fase de aterragem. Com a salinidade 8 vezes mais alta do que a do mar Adriático (260 g/l vs 33 /l), os saltadores viram-se a parar apenas a 2.5m abaixo da superfície da água, menos 2.5m do que a profundidade que normalmente atingem quando saltam dos 27m. Este elemento extra imposto à condição física dos atletas conjugou-se com o desafio de saltar sem qualquer luz natural.

"Uma gruta é totalmente escura, temos luzes mas não é o cenário perfeito para saltar, por isso é uma situação muito desafiante", explicou Popovici, saltador nativo de Bucareste. "Na plataforma quase tocas com a cabeça ou com as mãos na parede, por isso é um bocado difícil saltar para o sítio certo de modo a evitar a água rasa. É o projeto mais impressionante e mentalmente desafiante que fiz na minha vida."

"Estou muito orgulhoso de ser o primeiro romeno a fazer cliff diving na Roménia. Nunc tivemos a oportunidade e estou muito entusiasmado por ter sido neste local icónico, nesta região da Transilvânia. Já tive nesta mina antes e é uma oportunidade única na vida."

A primeira referência documentada da Salina Turda data de 1271, sendo esta a principal fonte de rendimento até ao fim dos trabalhos mineiros, em 1932. Hoje, enquanto museu histórico e parque temático subterrâneo, a mina atrai 700 mil visitantes por ano.

 

Para os fãs do Red Bull Cliff Diving World Series, bem como para protagonistas como Iffland e Popovici, o regresso da competição em 2021 é algo muito esperado. Considerando o atual panorama de saúde mundial e os aspetos de segurança envolventes, espera-se que o calendário seja revelado no início do próximo ano.